terça-feira, 12 de outubro de 2010

Passa o tempo...

Pois é, como passa o tempo. Passando por este blog novamente eu verifico que faz quase um ano que eu postei pela última vez aqui, quando estava no Japão, e faz dois anos que eu fui ao Japão para estudar. Voa o tempo.

Foi uma experiência fantástica, sem dúvidas. Com seus desafios e dificuldades, mas também muitos prazeres que só quem tem esse tipo de experiência pode vivenciar. No entanto, como até mesmo a uva, tudo passa, tudo voa. E ficam as lembranças!

O Japão continua sendo pra mim uma segunda pátria, é o lugar que me acolheu, onde eu vivi e eu me sentia literalmente em casa. Espero ansiosamente ter "budget" para um dia voltar para lá a passeio, poder rever os amigos que deixei e também os lugares por onde passei, além disso, conhecer os lugares que não tinha dado tempo de conhecer. Tem muito pra ver lá ainda.

A comida, como eu sinto falta! Às vezes, em atitudes quase-frustradas, eu cozinho um gohan e faço um carê pra lembrar a comida do refeitório da facul, também vou a um restaurante japonês comer um sushi ou temaki pra tentar lembrar do Sushirou, do Yatai-zushi, etc., mas nunca o gosto é igual. Acho que além da qualidade do ingrediente e da técnica, estar lá é que faz a diferença. E veja só, com o tempo eu comia tanto bentô, tanto carê, que eu enjoava. Mas tudo na vida é sazonal assim. E hoje eu tenho saudades!

Valeu mesmo a pena ter voltado também, em termos de satisfação. Demorou uns seis meses, mas eu me "reativei", estou fazendo um novo mestrado, numa área que eu gosto, e realizando-me profissionalmente. Também fico contente de que a experiência lá no Japão tenha contribuído pra isso. Percebi que nem sempre as coisas vêm no tempo que a gente quer que venham, mas com esforço e merecimento elas vêm.

E mantenho meu contato com o Japão da maneira que for possível, sempre.

Fica esse blog aqui para contribuir com mais uma experiência pessoal para os que ainda vão, ou os que já foram, pra gente confrontar opiniões. De qualquer maneira ele continua ativo aqui! Meu diário de bordo. Que terá muitas páginas pela frente, num futuro bem próximo, se Deus quiser.

Abraços a todos!

domingo, 27 de dezembro de 2009

Balanço geral

Faz tempo que não posto aqui! Meu blog ficou jogado às traças nesses últimos tempos de mudanças. Fazendo um balanço geral, os últimos posts não foram relacionados ao Japão e às descobertas culturais que eu fiz aqui. Tantas mudanças na vida da gente, provações, testes de maturidade, resistência e aprendizados inestimáveis fizeram parte dos meus últimos dias aqui.

Finalmente, em janeiro eu retorno ao Brasil, com um coração cheio de saudade dessa terra cheia de maluquices e coisas legais, mas principalmente dos amigos que fiz aqui. É incrível, faça chuva ou faça sol, hostil, pedregulhoso ou inóspito que seja o ambiente, eu sempre consigo mais amigos para sempre. Agradeço aos que se tornaram meus amigos, pela disposição do coração.

Volto para casa com o coração cheio também de expectativas, medos e predisposição a um choque cultural reverso, que "tashika ni" vai acontecer, mas então vou voltar ao Brasil como um intercambista vai para um país diferente, novamente, pisando miúdo, e (re)aprendendo as coisas.

Entretanto, o pensamento sobre o futuro, acadêmico ou profissional, é muito positivo, porque estou muito satisfeito com o upgrade no meu currículo. De qualquer forma, ainda tenho pensar bem no que quero e vou fazer da vida, para ter os objetivos mais focados e concentrar melhor as forças, não dependendo só de um acaso forçado que pode me encaminhar para uma determinada direção.

A vida da gente é dividida em vários setores: família, amigos, amores, trabalho, estudo, hobbies, e outros mais que você queira separar.

Balanço individual dos setores (conforme este momento):

- Família: Apóia-me em quaisquer momentos. Apoiou-me em todas as decisões que fiz, aconselhou-me, sofreu comigo, ficou alegre comigo. Contrariou-se um pouco à minha mudança brusca de ambiente saindo do Brasil e vindo para o Japão, mas eu acho que reconheceu que aqui eu aprendi muito. E acostumou-se com a minha distância, talvez um marco nas nossas vidas.

- Amigos: A maioria dos amigos brasileiros não esqueceu de mim, ficou com saudade. Outros, como somos mais distantes, lembra de mim com carinho e eu deles, mas o contato permaneceu distante. Alguns me esperam com carinho, outros simplesmente ficarão contentes com minha presença. E não importa como, são todos meus amigos. Uns para cada tipo de diversão juntos, uns para cada tipo de confidências, de ajudas, de companhias. Os amigos do Japão estarão no coração sempre, e as marcas deixadas de um noutro serão indeléveis.

- Amores: Descobri que um amor pode atravessar montanhas, mares, viajar 20 mil quilômetros, e permanecer latente, nos pensamentos, desde a hora de acordar até a hora de dormir, sendo associado aos lugares que a gente passa, aos lugares que a gente se imagina estando junto. O amor à distância é muito empolgador, mas muito dolorido e muito sensível. A frase "Quem ama, cuida" torna-se o máxime para ambos os lados, e se ela não for estritamente respeitada, um lado pode enfraquecer e arrebentar, deixando todo o peso do sofrimento para o outro. Aprendi também que fidelidade absoluta não se converte em reciprocidade, não importa o quanto o amor seja bradado aos ventos. Descobri que tenho muito ainda a descobrir sobre os reais pensamentos e sentimentos das pessoas que se interessam em mim, e acho que vai ter cada dia mais, até morrer.

- Trabalho: O trabalho é o que sustenta o ser humano materialmente, mas também emocionalmente. Ser útil é muito importante, desenvolver-se nessa utilidade é mais ainda. O reconhecimento de um bom trabalho deve existir sempre, assim como feedbacks negativos na hora de uma falha, para ajudar a melhorar. Para mim, o trabalho continua não indo para frente se as relações humanas não vão bem, mas é preciso flexibilizar-se a ponto de não baixar rendimento nas marés baixas. Deve-se fazer o que gosta, mas no mínimo gostar do que se faz. A empresa que eu trabalhava pregava os valores: comprometimento, excelência, inovação, integridade, respeito e espírito de vitória. Essas palavras resumem bem o que o trabalho deve significar na vida de uma pessoa, sem mais explicações.

- Estudo: O estudo enriquece o ser humano sem limites. A autodidaxia é privilégio de poucos. Mas ele deve ser bem administrado, para não se tornar sofrimento, estresse, doença. Ele deve ser focado em objetivos concretos, mas também existir em forma de distração, sobre assuntos de interesse próprio apenas. Estudar muito não significa fazer sucesso na vida. É preciso ter jogo de cintura, inteligência emocional, adaptabilidade, ao usar os frutos do estudo e assim fazer sucesso na vida.

- Hobbies: eles mudam, variam conforme o ambiente e a fase que você está na vida. Alguns permanecem, alguns surgem, outros desaparecem e recomeçam ou não. Eles enriquecem, porque alimentam o coração, deixam-no também mais feliz e pronto para as outras atividades. Deve-se sempre ter um hobby, ou dois, ou centenas. Isso ajuda a derrubar barreiras e a levar cruzes.

Além de tudo isso, sinto que muitas oportunidades podem desaparecer da mão em questão de segundos, então elas devem ser aproveitadas na hora que aparecem. "É mais provável arrepender-se do que não se fez" torna-se outro máxime que vou levar para frente.

Saindo do Brasil, aprendi a valorizá-lo mais, a admirar coisas pequenas do meu dia-a-dia que me fazem falta aqui, a ter orgulho do meu País e das coisas boas que ele tem a oferecer. O Brasil é sim, o melhor país do mundo. Pena que faltam ainda alguns ajustes.

Mas é isso, falei demais!

Talvez um dos últimos posts da Terra do Sol Nascente.

Falow!

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Nostalgia - Recortes

Eu sempre fui um menino agitado, hiperativo e muito comunicativo. Timidez esteve sempre longe de mim. Porém, minha mãe, sempre superprotetora e com seu primeiro filho, não facilitava para que eu saísse para a rua brincar. A redondeza também, não favorecia, geograficamente... assim, eu me tornei o que em Ponta Grossa a gente chama de "piá de prédio".

Com muita energia acumulada, tinha que descarregar em alguma coisa. O meu ladrão sempre foi a caneta. Em diversas superfícies, eu, que odiava lápis, punha minha imaginação para funcionar das mais diversas formas. Tudo o que se formava de imagem na minha cabeça estava em alguns segundos impresso em algum papel, livro, ou mesmo na parede. Minha mãe facilitava tanto, que quando ela via, eu já tinha desenhado na parede, escrito "campainha" sob o interruptor do corredor, tinha passado o formato de um transferidor na parede do quarto, e etc. Na altura da minha cabeça, a parede da minha casa chegou a um ponto em que parecia muro pichado. Mas tudo com caneta fina, caneta bic. Os meus pais faziam de tudo para evitar mas era difícil de conseguir.

isso aconteceu, até que um dia eu cresci um pouquinho, e com um resquício de consciência, comecei a me esforçar para tirar da parede com uma esponjinha e detergente o máximo de manchas que eu pudesse. Depois disso, não risquei mais a parede.

Com 7 anos, eu adorava fuçar os livros do meu Vô, e encontrei um livro super antigo, década de 1950, chamado Enciclopédia Universal Herder, em espanhol.  Lembro que o vô contou que comprou esse livro na época que um vendedor de livros daqueles chatos foi lá no banco em que ele trabalhava como gerente para vendê-lo. Meu Vô sempre teve o costume de ajudar muito as pessoas na medida do possível, e isso também incluía comprar coisas para ajudar.

Pois bem, nesse livro nada me parecia interessante, porque as letras eram super pequenas, e tudo em espanhol da Espanha, eu não entendia nada. Mas um dia, folheando o livro, eu encontrei uma tabelinha bem simples, com o alfabeto russo. Ou melhor, o alfabeto cirílico. E eu pensei: "Que legal!!!"...

Passei a copiar as letrinhas, e creio que em um ou dois dias, eu aprendi o alfabeto russo! Claro que não de forma totalmente correta, mas eu, com mania de louco, comecei a escrever um monte de coisas em russo, começando pelo meu nome. Eu nunca mais esqueci o alfabeto russo. Mas simplesmente, depois disso, eu não tive muito mais interesse.

Falando nisso, eu costumo não ter interesse e persistir em coisas que eu não aprenda instantaneamente ou não tenha um benefício muito grande pela frente. Essa autodidaxia que parece bonita é muitas vezes um grande defeito meu.

Passaram-se 17 anos (!), e eu, com 24 anos, no Japão, resolvi fazer curso de língua na universidade.
O primeiro propósito foi o seguinte: eu, sufocado com o sistema japonês, e pessoas me olhando de forma desconfiada, resolvi tomar aulas de idiomas que a universidade oferece. São simplesmente matérias de 90 minutos por semana e no sistema mais primitivo de todos, sem muitos recursos visuais, algo bem simples mesmo. Eu ia fazer francês ou alemão, só para ter uma base, pois não se aprende muito com tão pouca aula. Mas os horários não bateram, e eu escolhi italiano e RUSSO...

Sendo o professor um cara da Rússia, supus ser mais efetivo aprender com ele, e também me deixava feliz o fato de acreditar que ele seria uma pessoa amigável e não estúpida ou seca como as pessoas que eu venho encontrando todo dia no âmbito acadêmico puramente japonês.

Na primeira aula de russo, foi pura nostalgia... lembrei do dia que estava sentado na mesa de jantar da casa da Vó aprendendo o alfabeto russo. Eu ainda não aprendi quase nada de russo, e nem sei se vou aprender, mas uma coisa eu garanto: me dá, tipo, um minutinho, e eu leio pra você a frase em russo que você me trouxer, com o mínimo possível de erros. E, acredite ou não, parte da minha felicidade se forma a partir desses caquinhos de sabedoria!

Até mais!

Persistência ou teimosia?

Max Gehringer, em um dos seus artigos sobre carreira, arremata um conto sobre a história de um cavaleiro com o seguinte trecho: "Tentar é bom, persistir é ótimo, e cair do cavalo de vez em quando é normal, faz parte do aprendizado. Mas sempre há um ponto, depois de algumas tentativas mal-sucedidas, em que é preciso parar, pensar, colocar as idéias em ordem e, quem sabe, tentar outra alternativa. É exatamente nesse ponto que começa a diferença, que muita gente ainda não consegue perceber, entre a saudável persistência e a pura teimosia."

Só isso nesse post! Sem inspiração para isso! hehehe.... falow!

terça-feira, 17 de novembro de 2009

New post. Amigos!

Olá, leitores eventuais!

Bem, povo, vou falar sobre amigos.

"Você, meu amigo de fé, meu irmão camarada..." (Roberto Carlos) - não, muito ridículo...
"Amigo é coisa pra se guardar do lado esquerdo do peito, dentro do coração..." (Milton Nascimento) - não, muito triste...

Bem, vocês entenderam.

Aqui no Japão, eu consegui uma coisa que tenho em vários lugares, de várias maneiras, vários estilos.

Aqueles amigos de 5 minutos por semana ou por mès e aqueles que praticamente vivem grudados com a gente. Todos os amigos, cada um tem sua característica, sua influência na vida da gente. Assim como em todos os lugares que passo, restam os amigos. E restam não só no lugar passado, mas na vida e no coração da gente.

Tem aquele amigo que está sempre disponível a contar uma piada, sabe que vai animar a gente.

Outros amigos nos preocupam com nossos problemas, ou simplesmente observam como a gente está e tentam fazer algo para ajudar se tudo não estiver OK.

Dentre esses que nos fazem algo para ajudar, tem aqueles que, sem dizer palavra, nos puxam pra fazer alguma coisa e distrair, espairecer, como simplesmente andar um pouquinho de bicicleta, e tem outros que ligam inesperadamente para conversar e tentar dar algum conselho. Tem, ainda, aqueles que não falam nada, e esperam a gente pedir ajuda. Quando a gente pede ajuda, estão à disposição.

Coisa interessante dos amigos é que, muitas vezes, eles não concordam ou se preocupam com certas formas da gente viver ou fazer as coisas. Mesmo assim, eles dão bronquinhas (tapinhas na testa), e toleram de forma bastante amigável.

Por exemplo, alguns amigos não se conformam com o fato de eu tomar um monte de coca-cola (mesmo que zero) por dia... e ficam o tempo todo falando que estão preocupados, que vai me fazer mal, fazem piada com a minha cara, mas o interessante é que essas conversas sempre são assunto de mesa e sempre rendem boas risadas.

Alguém pode até pensar que desse jeito os amigos não ajudam, simplesmente sustentam a imprudência da gente, mas eu acho que ajudam, sim, porque no fim eu sempre hesito sobre os conselhos, mesmo no chuveiro, ou ainda no metrô ou andando de bike.

Outros amigos, aqueles que a gente não encontra sempre, mas quando encontra, sempre têm um assunto interessante para contar, ou algo muito intelectual para filosofar, esses amigos também fazem muito bem, pois nos fazem navegar pela vida, pelo mundo, nos fazem aprender com eles. Dentre essas conversas existem aquelas que ficam chatas e maçantes, não? Mas ainda assim, um pouquinho de jogo de cintura, e essa chatice some como fumaça no ar.

Voltando aos amigos das piadas, eles nos fazem girar a imaginação, mas para o lado do humor, o lado da sacanagem, rendendo gargalhadas até mesmo sozinho no meu quarto do dormitório quando lembro da situação.

Outros amigos, mais distantes, que só cumprimentamos no meio da correria, esses também deixam lembranças boas, porque cada um tem seu estilo de cumprimentar, um estilo de sorriso, abraço ou tapa nas costas, uma piadinha rápida ou um jargão... Esses também nos arrancam sorrisos e comentários...

Voltando àqueles que se preocupam conosco (que texto zig-zag! Nota zero em aula de redação)... esses gastam seu tempo pensando na gente, obtêm um carinho muito grande pela gente, e eu tenho igualmente um carinho muito grande com eles. São aqueles que quando eu estou muito feliz, ou quero contar alguma coisa interessante, eu lembro... ou são aqueles que quando eu entro em desespero eu quero ligar, nem que seja só para ouvir a voz ou perguntar como está passando. É um alívio tão grande!

Com esses também saímos na maior tranquilidade, temos intimidade, nos divertimos e estamos juntos nos momentos tristes e alegres. Conseguimos mudar de conversa sem mesmo perceber, um assunto puxa o outro e isso nos faz acabar inclusive com a bateria do telefone, quando distantes.

Há ainda aqueles amigos que a gente faz voltando da escola, eu fiz amigos simplesmente porque tínhamos o mesmo caminho para voltar da escola ou da aula de chinês, e um dia cada um acaba traçando seu caminho, mas as lembranças dos bate-papos que vão se tornando cada vez mais interessantes, e das bobagens faladas, ou simplesmente da alegria em estar acompanhado naquele momento. Esses amigos nem sempre a gente encontra mais, mas ficam as lembranças, e contatos esporádicos mantêm a amizade.

Porque, como diz o outro: amizade não tem distância, os verdadeiros amigos estão conosco nos momentos tristes e alegres... e como eu digo, mesmo aqueles que não são os completos amigos, esses também têm sua importância.

Bem... hoje só foi uma reunião confusa de recortes de pensamento!
Talvez ininteligível... mas do coração!

Obrigado a todos os meus amigos, por existirem!

terça-feira, 3 de novembro de 2009

A importância de se fazer o que gosta

Olá pessoal! Primeiro post de novembro, e eu vou falar minhas reflexões.

A importância de se fazer o que gosta é fundamental.

Sempre quando estamos fazendo algo, temos que avaliar a importância de estarmos fazendo aquilo, principalmente quando são coisas importantes na vida da gente, como um emprego, uma faculdade, um projeto bastante grande.

É importante pensar em longo prazo sobre os impactos positivos e negativos do que fazemos. Um grande amigo, que é muito bom na profissão dele, sempre me disse que quando está trabalhando, ele sempre mantém uma economia, suficiente para sustentá-lo por alguns meses, para que o dia que ele fique de saco cheio, do chefe, ou do trabalho, ele tenha a liberdade de dar um chute na bunda de quem quer que seja e procurar uma outra ocupação, que lhe mantenha feliz.

É claro que o caso desse amigo não se pode aplicar a todos. Ele ainda é solteiro, ele é muito bom naquilo que faz, então ele se pode dar ao luxo de correr esse risco. Mas muitas vezes eu fico pensando nisso, e enquanto eu puder, eu quero ser igual a ele. Eu admiro muito as pessoas bem-resolvidas. Seja como for, uma decisão como essa não é fácil, nem na teoria nem na prática.

Muitas vezes o julgamento das pessoas em volta, baseado no próprio senso comum, abomina possíveis escolhas que as pessoas fazem, quando pretendem fazer algo que parece loucura, abrir mão de um grande negócio ou projeto na vida, por exemplo.  E isso, aos olhos de muitos, parece absurdo quase sempre. Só quem está no centro da situação pode saber o que se passa, e as grandes decisões têm que ser bem pensadas.

O que que isso tem a ver com o fazer o que se gosta? É que muitas vezes, escolhas importantes são feitas para se fazer o que gosta. Um colega de filatelia optou por abrir mão da carreira no Banco do Brasil, de um cargo de gerente, para abrir sua filatélica virtual. Além de ele enxergar de forma inovadora uma oportunidade de negócio, ele passou a fazer algo que ama. Hoje ele fica louco com a movimentação da loja virtual e das viagens para exposições, além disso ele edita um informativo semanal fantástico sobre filatelia na internet. E quando eu encontro ele nas exposições, e quando eu leio os trabalhos dele, eu consigo ver o brilho nos olhos dele, a gana com que ele faz aquilo. Foi arriscado? Foi bastante, mas ele está muito bem. E eu acho que o grande combustível nesse caso é fazer o que se gosta.

Ademais, às vezes a gente não tem culpa de estar fazendo o que não gosta! Às vezes a gente inicia um projeto de vida com a melhor das boas intenções, e não é aquilo no final. Ou chega um ponto em que não vale a pena o prêmio pelo preço, ainda que seja um prêmio admirado. Eu ainda acredito que, de certa forma, "querer é poder", mas no "querer" também está envolvido o "gostar". Existe a decepção, o engano, a frustração. É preciso ter em mente constantemente as prioridades de vida para não se sofrer à toa, para que quando se necessite fazer algo drástico, não se titubeie ou não se erre por falta de cuidado no julgamento. Ou para que simplesmente não haja arrependimento. Afinal, a vida é curta e é uma só, e fazer valer a pena é o lema recomendado.

domingo, 25 de outubro de 2009

Nostalgias - APZ

Em 20 de julho de 1997, eu fundei, com a ajuda do meu irmão Eduardo (6 anos na época – e eu 12), a Associação Pykyrykana de Zerósia - APZ. Eu nunca tive uma definição nem idéia exata de o que é a Zerósia. Mas se hoje alguém me perguntasse, diria que é uma filosofia que prega a filantropia e promove o conhecimento de vários temas com cursos muito interessantes.

Eu pegava a máquina de escrever do Pai ou do Vô e batia o jornalzinho da Associação. Nele, eu promovia os novos cursos de Zerósia (a filosofia, regida por signos como Ptébana e Ierévana), além dos cursos dos idiomas falados no 2º Universo (meu universo imaginário)... línguas mortas e atuais. Mortas, como o pykyrykano (a origem de tudo, que eu inventei quando tinha 6 anos mais ou menos), assim como o turco raphaelesco e o árabe raphaelesco júnior, línguas ainda utilizadas nesses países.

O Eduardo se divertia por ter um cargo importante na Associação, mas eu, como péssimo líder que sou, não sabia imputar as devidas tarefas a ele, que só ficava do meu lado no quartinho da empregada brincando com os bonequinhos dele, enquanto eu imaginava como seria uma sala de aula cheia, do curso de árabe raphaelesco júnior (Áriji). E se eu reclamasse, a gente quebrava o pau e eu ainda apanhava dele, às vezes. E ele ia chorando lá pro quarto dele e batia a porta.

A APZ existe até hoje, e é atualmente administrada pelo meu primeiro-ministro de Pykyryky Delawery (meu país imaginário), Alf Dydo de Souza Prestes, com a preciosa ajuda da sua esposa Barbariza de Souza Prestes. Eles têm prestado um serviço precioso a toda a comunidade do 2º. Universo. O Alf Dydo é uma espécie de meu braço direito, quando eu estou muito ocupado com o mundo real, ele assume tudo lá para mim. Lá eu sou o soberano, não sou Deus, acima de mim existe Jesus e Deus, mas eu sou uma espécie de monarca vitalício, uma mistura de Kim Jong-Il com Aiatolá Khomeini, mas com o charme do Rei da Espanha (Por qué no te callas???).