domingo, 27 de dezembro de 2009

Balanço geral

Faz tempo que não posto aqui! Meu blog ficou jogado às traças nesses últimos tempos de mudanças. Fazendo um balanço geral, os últimos posts não foram relacionados ao Japão e às descobertas culturais que eu fiz aqui. Tantas mudanças na vida da gente, provações, testes de maturidade, resistência e aprendizados inestimáveis fizeram parte dos meus últimos dias aqui.

Finalmente, em janeiro eu retorno ao Brasil, com um coração cheio de saudade dessa terra cheia de maluquices e coisas legais, mas principalmente dos amigos que fiz aqui. É incrível, faça chuva ou faça sol, hostil, pedregulhoso ou inóspito que seja o ambiente, eu sempre consigo mais amigos para sempre. Agradeço aos que se tornaram meus amigos, pela disposição do coração.

Volto para casa com o coração cheio também de expectativas, medos e predisposição a um choque cultural reverso, que "tashika ni" vai acontecer, mas então vou voltar ao Brasil como um intercambista vai para um país diferente, novamente, pisando miúdo, e (re)aprendendo as coisas.

Entretanto, o pensamento sobre o futuro, acadêmico ou profissional, é muito positivo, porque estou muito satisfeito com o upgrade no meu currículo. De qualquer forma, ainda tenho pensar bem no que quero e vou fazer da vida, para ter os objetivos mais focados e concentrar melhor as forças, não dependendo só de um acaso forçado que pode me encaminhar para uma determinada direção.

A vida da gente é dividida em vários setores: família, amigos, amores, trabalho, estudo, hobbies, e outros mais que você queira separar.

Balanço individual dos setores (conforme este momento):

- Família: Apóia-me em quaisquer momentos. Apoiou-me em todas as decisões que fiz, aconselhou-me, sofreu comigo, ficou alegre comigo. Contrariou-se um pouco à minha mudança brusca de ambiente saindo do Brasil e vindo para o Japão, mas eu acho que reconheceu que aqui eu aprendi muito. E acostumou-se com a minha distância, talvez um marco nas nossas vidas.

- Amigos: A maioria dos amigos brasileiros não esqueceu de mim, ficou com saudade. Outros, como somos mais distantes, lembra de mim com carinho e eu deles, mas o contato permaneceu distante. Alguns me esperam com carinho, outros simplesmente ficarão contentes com minha presença. E não importa como, são todos meus amigos. Uns para cada tipo de diversão juntos, uns para cada tipo de confidências, de ajudas, de companhias. Os amigos do Japão estarão no coração sempre, e as marcas deixadas de um noutro serão indeléveis.

- Amores: Descobri que um amor pode atravessar montanhas, mares, viajar 20 mil quilômetros, e permanecer latente, nos pensamentos, desde a hora de acordar até a hora de dormir, sendo associado aos lugares que a gente passa, aos lugares que a gente se imagina estando junto. O amor à distância é muito empolgador, mas muito dolorido e muito sensível. A frase "Quem ama, cuida" torna-se o máxime para ambos os lados, e se ela não for estritamente respeitada, um lado pode enfraquecer e arrebentar, deixando todo o peso do sofrimento para o outro. Aprendi também que fidelidade absoluta não se converte em reciprocidade, não importa o quanto o amor seja bradado aos ventos. Descobri que tenho muito ainda a descobrir sobre os reais pensamentos e sentimentos das pessoas que se interessam em mim, e acho que vai ter cada dia mais, até morrer.

- Trabalho: O trabalho é o que sustenta o ser humano materialmente, mas também emocionalmente. Ser útil é muito importante, desenvolver-se nessa utilidade é mais ainda. O reconhecimento de um bom trabalho deve existir sempre, assim como feedbacks negativos na hora de uma falha, para ajudar a melhorar. Para mim, o trabalho continua não indo para frente se as relações humanas não vão bem, mas é preciso flexibilizar-se a ponto de não baixar rendimento nas marés baixas. Deve-se fazer o que gosta, mas no mínimo gostar do que se faz. A empresa que eu trabalhava pregava os valores: comprometimento, excelência, inovação, integridade, respeito e espírito de vitória. Essas palavras resumem bem o que o trabalho deve significar na vida de uma pessoa, sem mais explicações.

- Estudo: O estudo enriquece o ser humano sem limites. A autodidaxia é privilégio de poucos. Mas ele deve ser bem administrado, para não se tornar sofrimento, estresse, doença. Ele deve ser focado em objetivos concretos, mas também existir em forma de distração, sobre assuntos de interesse próprio apenas. Estudar muito não significa fazer sucesso na vida. É preciso ter jogo de cintura, inteligência emocional, adaptabilidade, ao usar os frutos do estudo e assim fazer sucesso na vida.

- Hobbies: eles mudam, variam conforme o ambiente e a fase que você está na vida. Alguns permanecem, alguns surgem, outros desaparecem e recomeçam ou não. Eles enriquecem, porque alimentam o coração, deixam-no também mais feliz e pronto para as outras atividades. Deve-se sempre ter um hobby, ou dois, ou centenas. Isso ajuda a derrubar barreiras e a levar cruzes.

Além de tudo isso, sinto que muitas oportunidades podem desaparecer da mão em questão de segundos, então elas devem ser aproveitadas na hora que aparecem. "É mais provável arrepender-se do que não se fez" torna-se outro máxime que vou levar para frente.

Saindo do Brasil, aprendi a valorizá-lo mais, a admirar coisas pequenas do meu dia-a-dia que me fazem falta aqui, a ter orgulho do meu País e das coisas boas que ele tem a oferecer. O Brasil é sim, o melhor país do mundo. Pena que faltam ainda alguns ajustes.

Mas é isso, falei demais!

Talvez um dos últimos posts da Terra do Sol Nascente.

Falow!